DRAMA DO PASSADO AMARRA O PRESENTE

Como fatos de antes influenciam o seu agora.

MAR/2017

André, talentoso engenheiro de produção, gosta muito do que faz, mas reiteradas vezes abandonou bons empregos, alegando não suportar o autoritarismo e incompetência de seus chefes e colegas de trabalho. 

Homem alto e magro, bem vestido, gestos comedidos e um sorriso tímido escondido atrás dos óculos escuros. Vem à consulta por insistência da família, que fala de seu isolamento, sua dificuldade de relacionar-se e do envolvimento único em seus projetos pessoais:

- Ele precisa ter dinheiro para viver, se interessar por alguma coisa! Sempre foi aluno brilhante, mas com muita dificuldade de fazer amigos... Me preocupa sua falta de motivação para viver, diz a mãe.

- Para que estou vivendo? Não sirvo para nada! Não faço nada direito! Afirma ele.

Excessivamente critico, imagina que nada do que faz é bom o suficiente; além disso, reclama do chefe e dos colegas, chamando-os de arbitrários e incompetentes. 

A família observa que André é tão bom no que faz, que, embora tenha pedido demissão, a empresa lhe propôs que fizesse o trabalho em sua própria casa, sem exigência de horário. Depois de muita relutância, ele aceitou com ressalvas:

- E os meus planos? Comprei um carro antigo e decidi reformá-lo. Não encontrei um bom profissional que o fizesse. Estudei e estou fazendo isso sozinho. Trabalhar para essa empresa tira o tempo do meu projeto!!!

Pedi a André que se colocasse de forma confortável e entrasse em contato com o sentimento “não sirvo para nada” - “Não faço nada direito”. Quase que de imediato ele se vê num espaço aberto, de solo desnudo e seco, diante de uma grande construção. Poucos segundos depois, tudo veio abaixo, soterrando ou ferindo aqueles que estavam à volta. Atônito, não acreditava no que tinha acontecido: O que é isso?!? Eu fiz tudo certo!!!

Foi preso imediatamente. Na cadeia, fez e refez inúmeras vezes os cálculos da obra: estava tudo certo! Até que percebeu: a coleta dos dados estava errada! Isso provocou erro nos cálculos do projeto! Para agravar a situação, haviam utilizado material inferior para baratear o custo da obra! Ele deveria ter checado, mas confiou. E agora? A culpa se avolumava em seu coração. Tantos mortos! E agora? Tudo estava feito. Não dava para voltar atrás. 

Foi julgado e banido da cidade. Tornou-se um andarilho, e acabou morrendo, cheio de remorso e culpa, de fome e frio. 

André identificou toda a desconfiança e raiva que sentia de seus pares. Percebeu que seu sofrimento se transformou em prudência e desconfiança excessiva, por isso não queria se envolver com nada. 

– Mas o erro já havia acontecido. Estava no passado. Havia confiado demais; mas também era um bom profissional, com boas intenções. Importava trazer os conhecimentos adquiridos pela experiência e seguir atento no presente. 

Sugiro a André que encaminhe o construtor para o mundo espiritual, junto com todos aqueles que morreram no acidente. Ele relaxa e respira aliviado. – Acabou, afirma com um sorriso aberto. 

Peço que volte ao atual ambiente de trabalho. Com olhar maroto, informa que ele exagerou. Que às vezes, eles cometem erros, sim, mas que sua tarefa é checar. O chefe já não pega no seu pé, mas está a serviço da empresa, atento aos prazos, o que faz parte de suas atribuições.

Livre dos enredos limitantes do passado, André agora pode expressar sua própria natureza, envolvido em seu trabalho como profissional competente que é, cuidando de seus projetos e fortalecendo laços de afeto e amizade.

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