ANTIGOS LAÇOS DE FAMÍLIA

Fatos do passado influenciam o presente.

JAN/2017

Em muitos momentos da vida reconhecemos a mão do passado unindo afetos e desafetos na direção do entendimento e amor. Isso é ainda mais visível no campo familiar, em que laços de amor e consanguinidade unem aqueles que, de outra forma, talvez nunca se encontrassem. 

Muitas vezes, a origem dessas memórias se encontra em fatos do passado que, como um carma maduro, se oferecem para ser acolhidos no presente. 

Relato de sessão

 

Luiza, uma jovem e sorridente senhora, chama a atenção por seus gestos delicados e calmos. Inicia a sessão dizendo que há algum tempo vem sentido muita tristeza, insônia e cansaço. Diz que os sintomas tiveram início em 2016, época em que seus irmãos começaram a discutir entre si, culminando numa troca de ofensas pelo WhatsApp. Numa dessas conversas, se ouvia a voz agressiva e raivosa do cunhado, instigando desconfiança e ódio no coração da esposa. 

A briga se espalhava por toda a família, com cenas de descontrole emocional, raiva e desejo de vingança, envolvendo especialmente alguns membros mais novos do sistema. 

 

Sugiro, então, que Luiza entre em contato primeiro consigo mesma e depois, estando bem presente, imagine a si mesma e todos alinhados em um círculo: seu pai, sua mãe, seus irmãos, seu marido, os maridos de suas irmãs, a esposa de seu irmão, seus sobrinhos e sobrinhas, de modo que todos pudessem se olhar. Ao perguntar a ela o que vê, relata que o referido cunhado, bufando de raiva, se encontrava muito irritado, andando inquieto de um lado para outro. 

 

Peço a ela que olhe em seus olhos e lhe pergunte o que quer: “Justiça!”, ele grita. Solicito que, na imaginação, dêem um passo para trás e observem: – surge um personagem colérico, vestindo calça clara, camisa vermelha, chapéu e uma arma na cintura, que pôde ser identificado como ele numa vida passada. Questionado sobre a razão para tanta cólera, aparece a imagem de uma família: um casal com crianças - o homem também porta uma arma – um costume da época. Luiza reconhece nesse homem seu pai atual.

 

Agressivo, o homem de camisa vermelha afirma que havia sido roubado pelo outro, que por sua vez conta que lavrava as terras do senhor, recebendo em troca a permissão de comer o que plantava e vestimentas, mas que não recebia qualquer remuneração financeira. Exausto dessa dependência, colheu o que havia plantado e vendeu, sem dar conta ao dono das terras. Quando este ficou sabendo, decidiu castigar o agricultor, mas acabou morto por ele, que foge levando a família. 

Irado, o senhor das terras continua não compreendendo as razões para ter sido enganado e morto. Peço então que ele se coloque do lugar do colono e sinta o que o outro sentia. Essa empatia é muito difícil para ele, mas ao cabo de algum tempo, começa a perceber que seus empregados, embora fossem homens livres, eram tratados como escravos. Essa percepção o livrou do sentimento de ter sofrido uma injustiça, e ele pôde então seguir para o mundo espiritual.

 

Depois de liberar todos os personagens de vida anterior, voltamos à cena atual. Peço à Luiza que reconduza o cunhado, agora mais sereno, ao círculo. Nesse momento, a irmã que instigou o conflito, e o irmão, espontaneamente se aproximam do centro do círculo, movimento que é acompanhado pela irmã mais nova e por Luiza. Todos se olham, com amor e confiança. 

 

Em seguida, cada um volta ao seu lugar e tanto os antepassados como os descendentes se organizam ao redor de cada membro, explicitando seus vínculos, num fluxo fluido e harmonioso. Uma suave e delicada luz branca banha a todos, e no centro do círculo se manifesta um ser iluminado, que olha para cada um, e os convida a darem-se as mãos. Surpresa, Luiza percebe que a luz emana de cada pessoa, envolvendo a todos. Percebe que os campos sistêmicos são assim: cada um contribui e se beneficia do amor e da sabedoria impressas na memória do grupo: 

- Ah! Então é assim! Somos pontos de luz ligados uns aos outros para sempre! Agradecida, reverencia a Grande Corrente da Vida, que a tudo abarca. 

A final da sessão, ela me pergunta: - como pude trabalhar por eles? Sorrio e respondo: -Você não faz parte da família? Da Grande Família Humana? Tudo o que diz respeito aos seus irmãos tem parte com você também.

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